No final dos anos 1960, o fenômeno que conhecemos bem como internet nasceu oficialmente nas universidades: em Stanford e UCLA para sermos mais precisos. Fazendo um salto para 2020 e as instituições do setor de educação, em particular as universidades, vemos que elas estão se esforçando para acompanhar as mudanças provocadas na sociedade e na economia pela internet e suas tecnologias digitais associadas.

O setor de educação no século 21 enfrenta o dilema da transformação digital. Por um lado, adotar tecnologias e modelos de comunicação inovadores traz diversas vantagens: eficiência, maior aprendizado, maior acessibilidade a novos estudantes ao redor do mundo, entre outros.

No entanto, essa adesão também carrega desafios consideráveis, tanto em termos de custo e disrupção quanto para paradigmas e convenções de longo prazo. Por exemplo, a maioria das instituições enfatizam a comunicação pessoal, seja no aprendizado de sala de aula ou nas interações de pesquisa acadêmica. Apesar da comunicação online ter sido incorporada como parte da equação, ela foi pensada como um reforço para modelos tradicionais de suporte ao estudante, admissões, bibliotecas de pesquisa online e outras tarefas administrativas.

O status quo foi posto à prova com a pandemia do COVID-19. Distanciamento social e lockdowns causaram interrupções nos calendários acadêmicos. Muitos educadores consideraram o ano de 2020 como um "ano perdido" para milhões de estudantes ao redor do mundo. Nesse contexto, a transformação digital assumiu um papel muito mais importante. E para muitas instituições, e em particular para aquelas de ensino superior como as universidades, essa transformação digital pode ser um caminho para a sobrevivência e sustentabilidade futura.

Abordagens flexíveis para o aprendizado trazem diversos benefícios

Mesmo antes da pandemia, o modelo tradicional de sala de aula estava ameaçado pela ruptura digital. Atualmente, os alunos têm acesso a uma infinidade de conteúdos de aprendizagem digital de outras fontes online, tanto gratuitas como pagas. As faculdades já estavam enfrentando uma necessidade crescente de adotar caminhos de aprendizado mais flexíveis para permanecer relevantes.

Os atuais clientes estão acostumados com conteúdos e serviços on-demand, utilizando plataformas de streaming digital. Não seria supérfluo ou uma falácia esperar que as instituições de educação entreguem algo similar. Com a nova geração de estudantes acostumados com fontes online de aprendizado, oferecer a eles módulos de aprendizagem digital, sem dúvidas, resultaria em maior engajamento.

Além disso, o modelo tradicional focado em sala de aula sofre de um foco excessivo no que os estudantes precisam saber. Mas ele não leva em consideração que a cognição individual funciona de diferentes maneiras. Alguns podem prosperar com aprendizado de livros, enquanto outros precisam de mais conteúdo audiovisual para reter engajamento. Muitas startups modernas e EdTech já estão mostrando um novo caminho, utilizando vídeos interativos e outros conteúdos digitais para entregar experiências de aprendizado mais personalizadas.

E sem dúvidas, essa abordagem mais híbrida e modular que oferece aos alunos diversos caminhos, traz um poder de escolha e autonomia nunca vistos antes na educação. O aprendizado remoto também gera um novo nível de flexibilidade para estudantes que não precisam mais participar de aulas in loco. Estudantes que possuem outras demandas competindo pelo seu tempo, como empregos, por exemplo, também se beneficiariam com aulas on-demand.

Preocupações com Privacidade precisam ser Abordadas

As preocupações com a privacidade individual podem surgir de diversas formas em um ambiente educacional transformado virtualmente. As avaliações são um problema chave para a área, principalmente considerando o contexto de pandemia. Lockdowns e interrupção de atividades presenciais tornaram, em alguns momentos, impossível para as universidades realizarem provas em seus campi.

Apesar das aulas digitais funcionarem, as avaliações online trazem à tona perguntas significativas sobre a integridade e ética. Como você evita que alguns estudantes utilizem meios injustos? EdTech trouxe diversas soluções para isso. Uma delas envolve utilizar um software especial ou plugins de browsers que evitam que usuários possam acessar outro site ou copiar e colar conteúdos durante o período da prova.

Outros sugerem utilizar um monitor remoto que pode acessar em tempo real o vídeo do aluno e acessar sua tela, monitorando em tempo real qualquer trapaça. Reconhecimento facial pode atuar para assegurar que o verdadeiro estudante esteja participando da prova, e não outra pessoa. No entanto, o uso dessas tecnologias online precisa lidar com preocupações reais em relação à privacidade dos estudantes.

Pedir que os estudantes instalem um software invasivo em seus computadores com certeza irá gerar resistência. Aumentar a transparência sobre como os dados são coletados pelo software utilizado pode ajudar a torná-lo mais aceito. As universidades precisam garantir que qualquer dado coletado fique com a instituição, e não com terceiros, o que pode levar ao mal uso deles e a violações de dados.

As tecnologias modernas também vêm levantando sérias questões sobre como elas interagem com minorias. Por exemplo, softwares de vigilância de vídeo e IA já mostraram ter problemas em identificar corretamente indivíduos com tons de pele mais escuros e não caucasianos. Além disso, o software de captura de movimento utilizado para identificar possíveis trapaças pode levantar falsos sinais ao lidar com pessoas portadoras de deficiências físicas.

Francamente, não há muito o que as instituições de educação podem fazer nesse sentido. O ônus de aumentar a inclusão recai sobre os fornecedores de tecnologia. Mas as universidades podem criar uma demanda para isso, ao optar por não usar soluções de software que tenham esse tipo de viés inerente.

Um Modelo Híbrido pode ser essencial para estudantes estrangeiros

Desde a invenção do rádio e da TV, o ensino à distância é um paradigma dentro do setor de educação. Diversas universidades ao redor do mundo são exclusivamente baseadas no modelo "aberto" ou à distância. Mas estes foram amplamente atendidos por alunos ao longo da vida e indivíduos que buscavam uma carreira.

As pressões adicionais impostas pela pandemia podem forçar as instituições de educação tradicionais a considerarem aderir esse modelo como parte de sua oferta. Muitas universidades importantes nos EUA e no Reino Unido recebem estudantes estrangeiros. As restrições de viagens simplesmente eliminaram esse mercado em 2020. No entanto, as universidades podem facilmente apoiar esses alunos internacionais utilizando o aprendizado digital.

Isso significaria adotar um modelo híbrido, mesmo após a pandemia. Ou seja, oferecer aulas regulares para os interessados e em condições de frequentá-las, e ao mesmo tempo oferecer aulas digitais com certificação completa para outros estudantes. Embora muitos estudantes anseiem por uma experiência de educação estrangeira, há muitos outros que valorizam mais o prestigiado diploma.

Uma abordagem híbrida trataria desses dois perfis efetivamente. E a partir de um ponto de vista puramente econômico, também beneficiaria a instituição ao aumentar o corpo de estudantes sem comprometer os padrões de ensino. 

Salas de aula podem tornar-se menores e permanecer assim

Como todos os espaços públicos, as universidades carregam um visual vazio durante a pandemia. E com a perspectiva de persistir assim por anos mesmo após a vacina, ter espaços de ensino menores e menos cheios pode ser o resultado esperado pela transformação digital.

Se mais estudantes optarem por uma experiência de ensino remoto flexível, isso pode se tornar a norma, mesmo depois que a ameaça do vírus passar. Sempre irão existir estudantes que preferem o aspecto social do aprendizado no campus, mas o modelo híbrido pode potencialmente resultar em menores espaços de ensino nos campi futuros.

IA atuará com mais força em diversas áreas

A Inteligência Artificial (IA) já possui papel importante em diversos setores, como finanças, engenharia e manufatura. Não há motivos para que ela não faça o mesmo para a educação. Os chatbots que se especializam em suporte ao cliente podem ser usados para oferecer apoio ao estudante, respondendo a perguntas administrativas relacionadas a aulas, admissões, matrículas e outros tópicos similares. Isso irá liberar tempo das equipes de atendimento para focar em problemas mais complexos.

Diversas universidades ao redor do mundo lançaram chatbot de IA para serviços do estudante. Mas, mais do que isso, a IA tem bastante potencial para o setor de educação. Se as instituições de ensino superior puderem acessar dados associados aos padrões de aprendizagem e estudo de um indivíduo, eles podem ser usados em conjunto com IA para fornecer módulos de aprendizado altamente personalizados e eficientes, conforme discutido anteriormente.

A automação de IA na gestão acadêmica também pode melhorar eficiência e reduzir custos, como em outras organizações. Para as faculdades que estejam encarando redução de financiamentos, isso pode ser vital para a sustentabilidade de longo prazo.

Alunos ao longo da Vida e Profissionais Serão Beneficiados

O formato tradicional de quatro anos de graduação seguido pela maioria das universidades não acomoda indivíduos que não podem gastar esse tempo. Em vez disso, milhões tornam-se aprendizes para o resto da vida, ou seja, pessoas que se auto educam sem ajuda institucional, muitas vezes devido a restrições de carreira ou outros motivos pessoais.

As universidades têm lutado para abrir espaço para esses indivíduos. Tentativas passadas incluem aulas aos fins de semana, créditos extras para histórico de serviço militar, entre outros. Mas os benefícios dessas tentativas têm sido mínimos. Por outro lado, os cursos online flexíveis oferecem uma melhor alternativa, especialmente se eles migrarem para além do paradigma dos quatro anos.  

Atualmente, empresas de diversos setores enfrentam uma escassez de mão de obra em cargos especializados. As universidades podem abordar isso ao ofertar cursos de curta duração e certificações de especialização que ofereçam mais valor prático do que uma graduação. Também há outras possibilidades.

As instituições podem trabalhar em conjunto com entidades corporativas e organizações do setor para criar cursos onlines e digitais que estejam intimamente ligados ao espaço de trabalho. Isso pode ajudar a criar projetos de escritórios que ajudam o estudante na sua carreira e, ao mesmo tempo, lhe oferecem créditos acadêmicos. Com as tecnologias online, isso se torna mais fácil do que era há décadas atrás.

A Transformação Digital é impossível sem os professores

Muito do discurso da transformação digital é baseado no seu impacto sobre os estudantes. No entanto, os professores são uma parte igualmente importante da equação. Apesar da transformação digital apresentar claros benefícios a eles, os desafios enfrentados são grandes e precisam de atenção, e a falta de conhecimento tecnológico é a principal preocupação.

Em diversos departamentos das universidades, o staff é resistente a mudanças. Não porque eles não gostam delas, mas porque há uma falta de conhecimento ou familiaridade com novos softwares e inovações em EdTech. Isso talvez seja mais um problema entre educadores mais velhos e em campos que não envolvem o uso de tecnologia. As universidades precisam focar em oferecer mais suporte e treinamento aos seus educadores se eles têm alguma esperança em implementar com sucesso a transformação digital.

A Universidade de Londres tem entregado iniciativas de ensino a distância por mais de 150 anos e com o uso do Liferay, ela viu "mais e mais estudantes engajando online de maneira significativa". Leia o estudo de caso da Universidade de Londres para saber mais sobre como as soluções Liferay podem aumentar o engajamento do estudante no setor de educação.

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